“Não apenas compre um novo videogame, desenvolva um. Não apenas faça o download de um aplicativo, ajude a desenvolvê-lo. Não apenas jogue no seu celular, programe”, disse o ex-presidente americano Barack Obama em 2013, num vídeo em que convocava todos os americanos, especialmente as crianças e os jovens, a aprender programação. “Saber programar um computador hoje é tão básico quanto saber ler, escrever e fazer contas e deve ser ensinado em todas as escolas”, declarou Obama, em outra ocasião.

Mas saber programar passa a ser fundamental daqui para frente e por isso toda criança, matriculada em escola pública ou privada no Brasil, deveria ter o direito de aprender a programar.

Programar nada mais é do que saber dizer a um computador o que ele deve fazer. Num mundo onde as fronteiras entre o que a máquina é capaz de fazer e como o homem pode interagir com ela para aprender mais, facilitar sua vida ou criar o seu futuro, esta capacidade se torna mandatória, Mais do que falar a língua das máquinas, saber programar é passar a usar uma nova lógica baseada na análise de padrões e, a partir deles, tirar conclusões precisas sobre as coisas.

A razão mais óbvia para se aprender a programar tem relação com o mercado de trabalho. O crescimento exponencial da tecnologia impacta diretamente a oferta de empregos nas áreas da ciência da computação, que só tende a aumentar – e quanto mais pessoas habilitadas para ocupar essas vagas, melhor. Num futuro muito próximo, o conhecimento básico de programação também será fundamental para praticamente todas as profissões, como economistas, médicos, jornalistas, entre outros.

Mas a questão não se resume a capacitar um contingente de pessoas para os empregos que estão por vir. Muito mais importante é disseminar e promover o pensamento computacional, um jeito de pensar diferente, não linear, que é fundamental na era de transformações exponenciais em que vivemos, por meio do ensino de programação.

Segundo Ali Partovi, um dos criadores do Code.org, movimento global em prol do ensino de programação nas escolas, todos devemos aprender a programar não só para mantermos os nossos empregos e não sermos substituído por robôs, mas para continuarmos conectados ao mundo e sermos capazes de lidar com sua enorme complexidade. Portanto, é por questão de sobrevivência que deveríamos aprender a programar.

No curto prazo, o contato com os códigos e algoritmos ajuda a desenvolver habilidades como resolução de problemas, criatividade, colaboração e capacidade de abstração nas crianças e jovens, essenciais nos dias de hoje. No longo prazo, os prepara para entender e para dominar as tecnologias e ferramentas que irão mudar tudo o que conhecemos nas próximas décadas.

(Ana Maria Diniz – Estadão)

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